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01
11
2019

Dieta Cetogênica

Dieta Cetogênica

A dieta cetogênica inicialmente foi utilizada em indivíduos com epilepsia resistentes a medicamentos, com o objetivo de atingir o estado de cetose, pois notavam-se melhorias relevantes no quadro clínico desses indivíduos. Esta dieta baseia-se numa ingestão pobre em hidratos de carbono ( até 20-50g/dia ou 5% do valor energético total da dieta). Quando o nosso organismo não recebe hidratos de carbono suficientes, este acaba por utilizar as reservas de gordura como fonte energética, produzindo cetonas ou corpos cetónicos (produtos da catabolização dos ácidos gordos), que conseguem passar a barreira hemato-encefálica e servir de combustível para o cérebro bem como a outros tecidos, desta forma o organismo começa a queimar gordura, tornando-se assim um forte aliado na perda de peso e sobretudo na perda de massa gorda. Por isso, a alimentação nesta dieta baseia-se fundamentalmente na gordura, alguma proteína e poucos hidratos de carbono.

Numa dieta mediterrânica, a proporção de energia entre macronutrientes é de:

  • 45-60% para os hidratos de carbono
  • 25-35% de gordura e 15 a 25% de proteína

Por sua vez a dieta cetogênica apenas permite o consumo de 5 a 20% de hidratos, aumenta a proporção de gordura para os 60 a 80% e a proteína corresponde a 10-20%.

Apesar de ser considerada uma intervenção terapêutica de sucesso em indivíduos epiléticos, também os indivíduos com acne e diabetes tipo II, parecem beneficiar deste tipo de abordagem.

E o que acontece ao meu corpo com a perda de massa muscular?

Relativamente a perda de massa muscular, convém referir que a restrição calórica, por si só constitui um forte estímulo ao aumento do catabolismo muscular. No entanto pode ser contornado através da realização de treinos de força.

A aplicação desta dieta no contexto desportivo já é mais controversa, se for utilizada unicamente com o objetivo de melhorar a composição corporal numa vertente estética e não tanto pelo aumento do rendimento ou da massa muscular, esta pode ser utilizada visto que não ocorre prejuízo na força e potência. Já em treinos de endurance a restrição de hidratos de carbono induz a adaptações metabólicas positivas, sendo necessário “mudar a ficha” quando se pretende aumentar os niveis de intensidade e performance.

No entanto, antes de iniciar uma dieta cetogênica é necessário ter em conta os efeitos secundários e desvantagens inerentes ao estado de cetose. Durante o processo de adaptação do organismo esta redução drástica de hidratos de carbono pode originar alguns efeitos secundários indesejados como fadiga, cansaço, dores de cabeça e obstipação e é importante salientar que esta dieta não é indicada para indivíduos que sofram de doenças hepáticas, cardíacas ou renais, gravidas, crianças e adolescentes. Um dos principais riscos associados a cetose é a hipoglicemia. Nesse sentido, é importante monotorizar os corpos cetónicos na urina e no sangue para garantir a optimização dos resultados.

É fundamental realizar este tipo de dieta sob a supervisão de um nutricionista, para garantir a ingestão adequada de vitaminas, minerais, fibras e as melhores escolhas em termos de gordura. Nesta dieta existe uma diminuição da ingestão de alguns vegetais, fruta e fibra, por isso em alguns casos poderá ser necessária suplementação com multi-vitamínicos ou probióticos. Por outro lado, o consumo de grandes quantidades de gordura pode aumentar o risco de incidência de algumas doenças e pode mesmo impedir o indivíduo de atingir os resultados esperados na perda de peso.

 

 

Referências Bibliográficas:

http://lifestyle.publico.pt/mitosquecomemos/358069_e-capaz-de-fazer-uma-dieta-cetogenica

Vasconcelos Carla. Dieta Cetogénica – Abordagem Nutricional. Nutrícias  [Internet]. 2014  Set [citado  2019  Out  10] ;  ( 22 ): 16-19. Disponível em: http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2182-72302014000300004&lng=pt.

 

 

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